sexta-feira, 28 de setembro de 2012

REPÚBLICA VELHA: A MODA 1889 - 1930

Tendo em vista que a edição de 2012 do Passeio Fotográfico & Chá das Cinco promovido pelo Picnic Vitoriano São Paulo terá como tema a República Velha, o texto abaixo foca na moda deste período, que vai de 1889 a 1930.

A Moda em 1889 
Específicamente no ano de 1889, na moda feminina, a extensão traseira das saias do Late Victorian começou a diminuir. A silhueta era justa e estreita na frente, se alargando na barra e com um pequeno volume na parte de trás das saias. Junto das saias era comum o uso de jaqueta ajustadas e como acessório, pequenos chapéus sobre os cabelos que eram cacheados e presos em diversos tipos de coques. O bustle acabou por desaparecer naturalmente pois havia outra parte do corpo entrando em voga: os ombros. Se quer saber mais sobre a moda do late victorian, clique AQUI.


Na década de 1880 houveram mudanças de valores, os trajes esportivos entraram em moda especialmente para os homens que de dia usavam roupas práticas para o trabalho: ternos, casaco em curva sobre os quadris com abotoamento no peito, jaquetas curtas para os jovens e calças retas e justas. O fraque com lapelas de seda preta era usado à noite. Como acessórios gravata borboleta, luvas, bengala, além do bigode, barba e dos cabelos curtos ondulados, cobertos pela cartola.

Trajes Esportivos


Com a popularização dos esportes, o homem passou a ter um traje para cada tipo de atividade esportiva, em geral casacos de aspecto militar, calções justos e/ou  curtos com joelhos bufantes usados com meias ou polainas e um calçado de amarração e diferentes, boina ou  pequenos chapéus de feltro.






A Moda nas década de 1890 e 1900
Na década de 1890, a moda inglesa vivia o chamado “Late Victorian”, enquanto que na França dava-se o início da “Belle Epoque”. Eram tempos de ostentação e extravagância. Leia mais sobre estas épocas AQUI.

Na moda feminina inglesa e francesa, houveram estilos variados no decorrer da década, mas basicamente os vestidos eram lisos sobre os quadris, as saias tinham forma de sino ou trombeta e podiam ter cauda. Essa é a época da silhueta ampulheta: ombros bufantes, cintura fina e saias que contornavam o quadril. Os vestidos para o dia tinham gola alta com babado de renda ou laços. As mangas foram justas até 1894 e depois se tornaram bufantes, armadas com almofadinhas. 




Surge o tailleur, composto por saia longa e casaco do mesmo tecido, pois as mulheres estavam entrando no mercado de trabalho. Tendo a bicicleta se tornado extremamente popular, os bloomers reapareceram. Mesmo praticando esportes as mulheres usavam o colarinho das camisas alto e chapéus. 

Sapatos com salto podiam ter amarração frontal assim como as botas, sapatinhos estilo boneca também eram usados em bailes e dentro de casa. Chapéus imensos adornavam as cabeças, enfeitados com penas, flores e usados com coques. Meias calças rendadas eram fundamentais pra esconder as pernas.
Rendas eram usadas em excesso, especialmente nos vestidos noturnos que tinham decotes que expunham colo e ombro usados com luvas compridas.
No fim da década, o peito dos casacos possuía enchimento para simular um busto cheio. As mangas eram imensas e bufantes no antebraço e justas no braço.




1900
Na Inglaterra, o Rei Eduardo chegava ao poder em 1901 e a Belle Époque continuava na França. Na moda feminina o espartilho foi alongado e fazendo o corpo feminino ter uma silhueta em "S", com peito estufado e quadril empurrado pra trás. A saia em formato sino se manteve, mas agora cascatas de renda caíam nos decotes. Durante o dia o corpo ficava todo escondido mas à noite os vestidos tinham decotes e braços cobertos por luvas compridas. Cabelos presos no alto da cabeça com chapéus se projetando pra frente enfeitados com flores, fitas, plumas, boás.




Em 1908, vestidos estilo império (diferentes dos da época de Napoleão) davam ilusão de estreitar os quadris. E os chapéus ficaram maiores fazendo com que os quadris parecessem ainda mais estreitos. Esta foi a época das Gibson Girls que tinham bustos grandes e saias longas e soltas. Os tecidos eram leves, rendas e drapeados em cores claras, estampas com motivos florais e muitas fitas. Boleros eram populares assim como peças em cortes masculinos.



A moda masculina das décadas de 1890 e 1900 pouco mudou desde o Late Victorian. Estava cada vez mais informal e exigia que o tronco devia ter uma aparência alongada e atlética.
Ternos de sarja e tweed, eram usados com coletes coloridos, as calças eram folgadas em cima e com as pernas afuniladas, os jovens dobravam a bainha, o que causava certo furor. Gravatas eram ajustadas de diversas formas e os colarinhos da camisa eram altos e engomados.




O terno de três peças constituía-se de casaco largo e colete combinando, usado com calças em uma cor contrastante. Blazer, um casaco de flanela azul marinho ou um casaco e camisa em cores listradas eram usados para praticar esportes e atividades informais.



 

Como traje noturno formal era usado um casaco em cor escura e calças com um colete escuro ou claro. O smoking era uma peça pra um jantar informal em casa ou em um clube masculino, normalmente tinha a gola em seda ou cetim. A peça tinha um único botão e era usado com uma camisa branca adornada com gravata borboleta.




Os cabelos eram cabelos curtos e podia-se ter barbas pontudas e bigodes. Sapatos como ankle boots (chegavam até o tornozelo) com biqueira, sapatos de amarração em preto, cinza ou marrom eram para uso diário. Em ocasiões formais eram usadas botas com a parte superior branca e botões laterais. Surge nesta época o sapato em estilo oxford. Cartolas e chapéus coco eram usados com terno e chapéus de palha em ocasiões informais. Chapéus de feltro, relógio de bolso, luvas, bengalas.  A gravata Ascot se popularizou.



 


A Moda na década de 1910
Na década de 1910 os corsets foram banidos,
o estilo "império" para os vestidos, permaneceu. Houve uma febre de inspiração em Sherazade e no oriente médio, fazendo as saias ficaram estreitas, se afunilando na barra. Um pouco antes da guerra, sobre a saia comprida e justa nos tornozelos, usava-se outra saia, como uma túnica, logo abaixo dos joelhos.


 

Com a 1º Guerra Mundial, as extravagâncias foram banidas e as roupas deveriam ser práticas, simples e sérias, em tecidos baratos, resistentes e duráveis. A mulher passa a trabalhar, usam-se uniformes, as roupas passam a ser um pouco como conhecemos hoje. A Guerra abafou a moda e não aconteceu nenhuma mudança durante os anos em que se seguiram (1914-1918).
Em 1919, as saias amplas foram substituídas por uma saia em formato de "barril", a tentativa era dar ao corpo feminino um formato de cilíndrico, mas esta moda durou pouco.


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A moda masculina não mudou muito da década anterior, os ternos de três peças constituídos por um casaco saco combinando com o colete de abotoamento simples e calças. O colete poderia contrastar com as calças, estas eram na altura do tornozelo e vincadas, o espaço entre o sapato e as calças era preenchido com polainas.  Ama camisa com gola quebrada foi comum nas décadas de 1900 e 1910m, usadas com gravata borboleta. Gravatas comuns e laço ascot também eram usados formalmente.


À noite, fraque com calças risca de giz e coletes escuros ou claros, camisas com gola quebrada. O smoking podia ter lapelas de seda ou cetim e fechamento simples, usado com uma camisa branca e gravata escura.

Para ocasiões esportivas, blazer azul marinho ou casaco de flanela em cores vivas ou listrados. A jaqueta Norfolk (possui um cinto de tecido na cintura) era usada para fotografar, para atividades ao ar livre e poderiam ser usadas com calças knickerbockers (bufantes nos joelhos) para andar de bicicleta ou praticar golfe junto com meias  na altura dos joelhos meias e sapatos baixos, ou com botas ou sapatos resistentes com polainas de couro para atividades de caça.

Os cabelos eram curtos, bigodes grandes e enrolados. A corrente do relógio deveria aparecer sobre o colete, uma variedade de chapéus foi usada: cartolas formalmente, chapéus de feltro ou chapéus-coco, chapéus de palha e chapéus panamá nas mais diversas ocasiões.





A Moda na década de 1920
Os vestidos femininos dos anos 1920 de uso diário não eram curtos, variavam entre a altura dos joelhos e da batata da perna. O ideal erótico era a androgenia, as moças disfarçavam suas curvas em vestidos retos, soltos e eram chamadas de "melindrosas", causando escândalo quando o joelho aparecia ao dançar o jazz ou o Charleston. Nos cabelos, o corte à la garçonne era curtinho, liso, evidenciando a forma da cabeça, os lábios eram carmim em formato de coração, os olhos pintados de preto e as sobrancelhas raspadas e redesenhadas com lápis. As mulheres fumavam em longas piteiras, bebiam e retocavam a maquiagem em público, ações antes inaceitáveis. O chapéu cloche, era uma febre e impossível de se adequar à cabelos compridos, já que para ser bem vestido ele precisava se encaixar na cabeça e cobrir a testa. Cobrir a testa com chapéus, lenços ou franjas era obrigatório, testa aparente estava fora de moda nos anos 1920.
As roupas desta década eram coloridas, brilhantes, de tecidos leves, com texturas e padrões, muito disso se perde nas fotografias em preto e branco da época.
 

Os vestidos curtos se limitavam ao uso noturno e chegavam no máximo até abaixo do joelho, cerca de 45 a 50cm acima do chão, mas essa moda foi breve, durou entre 1926 e 1928. Para à noite, as saias traziam uma sobre-saia de gaze mais comprida ou eram mais compridas atrás do que na frente, em tecidos como lamê, renda do tom de ouro velho ou musseline de seda preta.


As meias e os calçados assumiram destaque, já que agora eram bastante visíveis. Os calçados eram variados: com bicos arredondados, saltos, fivelas, laços, Mary Janes com tiras no tornozelo...
Em 1929, bainhas assimétricas ajudaram a fazer com que o comprimento das saias voltassem a ser mais longos. A estilista Coco Chanel ousa usando calças ao estilo pantalona. À medida que a década de 1920 foi chegando ao fim, as saias foram gradativamente voltando a ser compridas e a cintura retornou ao lugar certo. O chapéu cloche foi deixado de lado, os cabelos cresceram e as mangas compridas retornaram. 

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Na moda masculina houve dois períodos distintos. No começo da década, os homens usavam terno curto, casaco saco; a moda era influenciada pelos uniformes militares da 1º Guerra, com calças retas, estreitas e curtas mostrando as meias. Fraques eram usados em ocasiões formais. Em 1925, calças mais amplas entraram na moda, os paletós voltaram a ter cintura no lugar e as lapelas se tornaram maiores.


O homem da década de 1920 abandonou as roupas excessivamente formais em troca de peças mais esportivas (o terno do homem atual é baseado no terno do homem dessa época). As camisas do traje a rigor tinham punhos independentes de linho engomado, com abotoaduras de madrepérola. Sobre a camisa: peitilho de linho engomado.

Para a noite, o smoking garantia o ar discreto em tons de azul ou cinza escuro, meias e gravata combinando e  um lenço branco no bolso esquerdo do paletó.
Os homens andavam sempre bem barbeados, com cabelos curtos e penteados para trás. Bigodes curtos e rigorosamente aparados. Botinas, gravatas coloridas chapéus arredondados. 



Os cidadãos de classe alta geralmente usam cartola, os de classe média ou usavam fedora ou um chapéu de feltro e o chapéu de palha era popular no verão, os homens da classe trabalhadora usavam um boné "newsboy" ou nenhum chapéu.



Texto e pesquisa de imagens de Sana Skull (blog Moda de Subculturas)

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