domingo, 4 de novembro de 2012

PIN-UPS X MELINDROSAS

A edição de 2012 do Passeio Fotográfico & Chá das Cinco promovido pelo Picnic Vitoriano São Paulo terá como tema a República Velha. O texto abaixo foca em dois comportamentos femininos que causaram grande furor em suas épocas: as ilustrações de pin-ups e as jovens melindrosas.

PIN-UPs 
Pin-ups ou "as garotas de cartazes" existem pelo menos desde o fim da Era Vitoriana e ilustraram pôsteres da Belle Époque e Era Eduardiana. O termo "Pin-up" foi documentado pela primeira vez em 1941, mas já era usado, ao que se sabe, pelo menos desde 1890. O termo se refere a desenhos, pinturas, ilustrações e fotos de moças sexualmente atraentes em poses sensuais. Estas imagens eram reproduzidas em revistas, jornais, cartões postais, calendários, publicidades diversas e visavam ser “penduradas” (em inglês, “pin-up”) em paredes.
No último trimestre do século XIX, a moralidade vitoriana começou a enfraquecer e estes pôsteres e cartazes se tornaram bastante populares. O homem que pode ter inventado esse tipo de cartaz foi o artista parisiense Jules Chéret.

 

É difícil definir a origem das revistas Pin-up. As ilustrações das "Gibson Girl", de Charles Dana Gibson, embora não sejam consideradas de fato pin-ups, prenunciam as características do gênero, pois eram a personificação da ideal beleza feminina  americana, além de terem suas próprias histórias satíricas, foram tão populares que ilustravam temperos, cinzeiros, toalha de mesa, sombrinhas e etc do final do século XIX.


A atriz belga Camille Clifford idealizava a silhueta ampulheta da época através do tight lacing e foi uma das modelos de Charles Dana Gibson para criar ilustrações. Ao contrário do que muitos pensam a prática de tight lacing não era regra na Era Eduardiana, a cintura de vespa era uma beleza idealizada.

Outro possível criador das revistas Pin-up é o francês Raphael Kirchner, seu trabalho trazia mulheres nuas ou em poses provocativas. Lá por 1890 a maioria dos artistas parisienses estavam fazendo cartazes, talvez o mais famoso de todos seja Toulouse-Lautrec, que inclusive fez o primeiro poster do Moulin Rouge.
Em 1894, a art noveau também tinha seus pôsteres sensuais. Uma das mais famosas imagens Pin-up do começo do século XX, é a September Morning de 1912.


A grande "era das pin-ups" foi entre os anos 1930 e 1950, época de artistas como George Petty, Alberto Vargas, Zoë Mozert, Earl Moran e Gil Elvgren e Earl MacPherson que fazia fotografia de modelos como referência ao seu trabalho de arte, algumas dessas fotos foram publicadas e durante os anos 1940 e 1950, as fotografias ao estilo pin up estiveram no auge. As modelos eram as típicas "vizinhas perfeitas" ou artistas de cinema. Mas a modelo pin-up mais fotogafada dos anos 50 foi Bettie Page (leia sobre elas AQUI). 


MELINDROSAS  
As melindrosas eram moças que na década de 1920 usavam saias "curtas", cabelos na altura das orelhas, ouviam e dançavam provocantemente o Jazz e o Charleston, se maquiavam, bebiam e fumavam em público, dirigiam automóveis, viam o sexo como algo casual. Elas definitivamente desafiavam as convenções! Eram jovens que não viveram a restrita era dos corsets, crinolinas e saias longas. Este comportamento surgiu devido à onda de liberalismo pós 1º Guerra Mundial e à cultura musical da época.

A primeira aparição da palavra e da imagem da melindrosa foi nos Estados Unidos no filme "The Flapper" de 1920, estrelado por Olive Thomas. No decorrer da década, outras atrizes como Clara Bow, Louise Brooks, Colleen Moore e Joan Crawford construíram suas carreiras focando nesta estética. A
palavra em português escolhida como tradução de "flapper" foi "melindrosa", que no dicionário significa "mocinha exagerada nas maneiras e no vestir". As Gibson Girls de 1890 também podem ter inspirado o comportamento das melindrosas, pois eram moças que inspiravam independência e comportamentos fora do padrão. O jazz além de música, dava os momentos excitantes ou divertidos à vida das garotas. As melindrosas trabalhavam, defendiam o direito ao voto e iam contra todos os ideais vitorianos de gênero, trabalho e religião.

O ideal erótico era a androgenia: as melindrosas não usavam espartilhos e eram a favor de corpetes que achatavam os seios e que iam até os quadris,  disfarçando suas curvas. Os seios podiam ser achatados com o sutiã, recém inventado, que era puxável nas costas e por bandagens, dando uma aparência quase infantil em vestidos retos, soltos, sem cintura ou com cintura na altura dos quadris e com comprimento nos joelhos e causavam escândalo quando este aparecia ao dançar. As blusas eram sem alça e deixavam os braços nus. As roupas tinham inspiração na moda francesa, especialmente nas de Coco Chanel.
 


Cabelos curtos à la garconne ou bob, podendo ser lisos ou ondulados eram usados com chapéu cloche, as jóias eram art déco com muitos colares, anéis, broches e óculos de aro de tartaruga.
A maquiagem "pesada" com grandes olhos expressivos pintados de preto e boca carmim em formato de coração, já era usada em 1890 pela atriz francesa Polaire. As melindrosas usavam espelhos portáteis, pó compacto, blush e batons em suas bolsas e retocavam a maquiagem em público. A pele tanto podia ser pálida como bronzeada - que sugeria uma vida de lazer, sem a necessidade de trabalhar.


Os cabelos e saias curtas das melindrosas se tornaram um símbolo da emancipação feminina, do sexo antes do casamento, do controle de natalidade, da possibilidade de se falar palavrão, da competição com os homens no trabalho e na independência financeira. Não haviam mais as cinturas apertadas por espartilhos nem a necessidade de ter um homem pra pagar suas contas.
Apesar de populares, as melindrosas não sobreviveram à queda da bolsa de Nova York em 1929 e aos anos de depressão econômica. Os "anos loucos", a era de felicidade e diversão teve de se adaptar a crise que viria dominar a década de 1930.



Um comentário:

Alexandre Melo disse...

Olá! Adorei o post. Estudo História e pesquiso sobre as melindrosas. Poderias me recomendar alguma leitura sobre o assunto? Abraço!

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